Quando os miúdos comparam dinheiro com os amigos: como lidar com isso

Quando os miúdos comparam dinheiro com os amigos, isso pode abrir espaço para conversas importantes sobre confiança, valores e escolhas financeiras. Eis como os pais podem falar sobre estas comparações de dinheiro de forma positiva e adequada à idade.

As crianças são naturalmente curiosas sobre o mundo à sua volta, e o dinheiro faz parte desse mundo.

Em algum momento, o teu filho pode notar que um amigo recebe mais mesada, tem um telemóvel mais recente, vai de férias de forma diferente ou parece comprar coisas com mais facilidade. Essa curiosidade pode levar a grandes perguntas como:

  • “Porque é que o Noah recebe mais mesada do que eu?”

  • “Porque é que não podemos ir de férias como a família da Sara?”

  • “Toda a gente tem um.”

Estes momentos podem ser grandes oportunidades para ensinar. Quando as crianças comparam dinheiro com os amigos, estão a aprender sobre justiça, escolha, pertença e valor. Com a conversa certa, podes ajudá-las a ganhar confiança, a perceber as prioridades da vossa família e a sentirem-se seguras na sua própria vida, sem precisarem de se medir pelos outros.

Aqui está como transformar a comparação de dinheiro numa conversa tranquila e fortalecedora.

Porque é que as crianças comparam dinheiro com os amigos?

As crianças comparam porque estão a aprender como o mundo funciona.

À medida que crescem, começam a notar diferenças entre famílias. Um amigo pode receber mesada todas as semanas. Outro pode ter os ténis mais recentes. Outro pode ir numa grande viagem de verão, ter mais brinquedos ou receber o último iPhone todos os anos.

Para os adultos, estas diferenças podem parecer normais. Para as crianças, podem ser confusas. Podem perguntar-se porque é que uma família gasta mais em presentes, porque é que outra vai mais vezes jantar fora ou porque é que o amigo recebe dinheiro todas as semanas sem pedir.

Estas perguntas nem sempre significam que querem mais. Muitas vezes, são sobre perceber o que o dinheiro significa e onde é que se encaixam.

Por isso, o objetivo não é impedir o teu filho de notar diferenças. O objetivo é ajudá-lo a entender essas diferenças com confiança. Cada família tem necessidades, valores, rendimentos, despesas, objetivos e prioridades diferentes. Quando as crianças aprendem isto cedo, é mais provável que cresçam a ver o dinheiro como algo que podem gerir, não algo que define o valor delas.

Para mais orientação por idades, lê o guia por idades da bunq para ensinar as crianças sobre responsabilidade com o dinheiro.

O que deves dizer quando o teu filho diz: “Toda a gente tem um”?

Começa por manter a calma e a curiosidade.

É fácil ouvir “toda a gente tem um” como pressão, queixa ou crítica. Mas, antes de responder com um “não” rápido, tenta perguntar o que está por trás do pedido.

Podes dizer:

“O que é que te faz querer isso?”

ou

“O que é que gostas nisso?”

Isto dá espaço ao teu filho para explicar. Talvez ele queira sentir-se incluído. Talvez precise mesmo de alguma coisa. Talvez esteja a reagir a um comentário de um amigo. Talvez tenha simplesmente visto algo entusiasmante e queira perceber porque é que não pode ter isso também.

Quando percebes a necessidade, consegues responder com mais clareza.

Por exemplo:

“Percebo porque é que isso parece entusiasmante. Na nossa família, pensamos bem antes de gastar dinheiro. Não compramos algo só porque os outros têm. Escolhemos o que é mais importante para nós.”

Este tipo de resposta faz três coisas úteis. Valida o sentimento do teu filho, explica a forma como a vossa família pensa o dinheiro e evita julgar a outra família.

Isso é importante. Ao falar com crianças sobre dinheiro, tenta não fazer das outras famílias o problema. Em vez de dizer “Eles esbanjam dinheiro” ou “Nós não podemos ter o que eles têm”, foca-te nos vossos valores e escolhas.

Uma frase simples pode ajudar:

“Famílias diferentes gastam dinheiro de maneiras diferentes. Esta é a forma como a nossa família escolhe.”

Como podes explicar orçamentos familiares diferentes às crianças?

As crianças não precisam de saber todos os detalhes das finanças da casa. Mas conseguem perceber o básico de fazer um orçamento se lhes explicares com uma linguagem simples, do dia a dia.

Podes dizer:

“Cada família tem dinheiro a entrar e dinheiro a sair. As famílias usam o dinheiro para coisas como a casa, comida, escola, transportes, poupança, ajudar os outros e diversão. Como cada família é diferente, cada família faz escolhas diferentes.”

Isto ajuda o teu filho a ver o dinheiro como um conjunto de decisões, não como um mistério.

Podes tornar isto ainda mais claro ao mostrar como o dinheiro costuma ser organizado. Uma parte do dinheiro é para os gastos do dia a dia. Outra é para contas. Outra é para poupança. Outra é para diversão.

É também assim que muitas famílias usam a bunq no dia a dia. Com várias Contas bancárias, podes separar o dinheiro por objetivo, seja para supermercado, férias, custos escolares, poupanças ou mesada. Para as crianças, isto torna visível uma lição importante:

“Nós não guardamos todo o nosso dinheiro para uma só coisa. Uma parte é para hoje, outra é para mais tarde e outra é para coisas que planeámos com antecedência.”

Não precisas de mostrar ao teu filho todas as contas ou detalhes privados. A ideia é ajudá-lo a entender que o dinheiro tem funções. Quando as crianças percebem isso, fazer um orçamento parece menos uma restrição e mais uma forma de fazer escolhas.

Como ensinar as crianças a não sentirem vergonha em relação ao dinheiro?

A forma como falas sobre dinheiro pode influenciar a forma como o teu filho se sente em relação a ele.

Se o dinheiro for sempre falado com stress, segredo ou vergonha, as crianças podem aprender que o dinheiro é algo assustador ou embaraçoso. Se o dinheiro for falado com calma e de forma prática, podem aprender que as escolhas financeiras são uma parte normal da vida.

Em vez de dizeres:

“Não podemos pagar isso.”

Experimenta:

“Isso não é algo em que estejamos a escolher gastar dinheiro agora.”

Em vez de:

“Isso é demasiado caro.”

Experimenta:

“Vamos pensar se isso vale o dinheiro.”

Em vez de:

“Pára de pedir coisas.”

Experimenta:

“Vamos falar sobre porque é que queres isso e que escolha teríamos de fazer.”

Estas pequenas mudanças fazem uma grande diferença. Mostram ao teu filho que as decisões sobre dinheiro não são sobre falhar. São sobre prioridades.

Isto também ajuda as crianças a ganhar confiança financeira. Aprendem que dizer não a uma coisa pode significar dizer sim a outra, como poupar para uma viagem em família, entrar numa atividade, criar um fundo de emergência ou comprar algo mais importante mais tarde.

Se o teu filho já tiver idade para começar a praticar com o próprio dinheiro, uma Child Account da bunq pode tornar estas lições mais concretas. Dá-lhe um espaço seguro para aprender como o dinheiro funciona na vida real, enquanto continuas envolvido como pai ou mãe.

Como é que a mesada pode ajudar as crianças a entender a comparação?

A mesada pode transformar uma comparação emocional num momento prático de aprendizagem.

Se o teu filho disser que um amigo recebe mais mesada, podes explicar que a mesada não é só sobre o valor. É sobre para que serve o dinheiro, com que frequência é dado e o que é que o teu filho deve gerir com ele.

Por exemplo, uma criança pode receber mais mesada porque se espera que pague os próprios snacks, transportes ou atividades. Outra pode receber menos porque essas coisas são pagas à parte pelos pais. Sem contexto, a comparação fica incompleta.

Podes dizer:

“Famílias diferentes usam a mesada de maneiras diferentes. Na nossa família, a mesada serve para te ajudar a praticar a fazer escolhas.”

É aqui que uma rotina regular de mesada pode ajudar. Em vez de tratares o dinheiro como algo que as crianças só pedem quando querem alguma coisa, podes fazê-lo fazer parte da aprendizagem diária. Elas recebem um valor definido, fazem escolhas, veem o que acontece e aprendem com isso.

Com a funcionalidade Pocket Money da bunq, podes dar ao teu filho um valor definido regularmente, ajudando-o a aprender a fazer um orçamento, poupar e gastar dentro de limites claros. Transforma a mesada de uma conversa ocasional numa rotina simples que o teu filho consegue entender e praticar.

A lição não é “recebes mais” ou “recebes menos”. A lição é:

“Estás a aprender a fazer escolhas com o dinheiro que tens.”

Isso dá ao teu filho algo mais útil do que um número maior. Dá-lhe um sistema.

Como podes transformar a comparação numa lição sobre dinheiro?

Quando o teu filho compara dinheiro com os amigos, podes aproveitar o momento para ensinar três categorias simples:

Necessidades: coisas que a vossa família tem mesmo de pagar, como comida, habitação, material escolar e transportes.

Desejos: coisas que é bom ter, como brinquedos, jogos, guloseimas ou atividades extra.

Poupanças: dinheiro posto de lado para algo mais tarde.

Se o teu filho quer algo porque um amigo tem, pergunta:

“Isto é uma necessidade, um desejo ou algo para poupares para ter mais tarde?”

Isto muda a conversa da comparação para a tomada de decisão.

Também podes convidar o teu filho a fazer um pequeno plano. Se quiser um jogo, uma mochila ou um acessório novo, ajuda-o a perceber quanto custa, quanto dinheiro já tem e quanto tempo vai demorar a poupar.

É aqui que os objetivos de poupança podem tornar a lição mais real. Na bunq, podes criar Savings Goals para as coisas pelas quais a vossa família está a poupar, seja uma viagem, uma bicicleta, um presente de aniversário ou algo que o teu filho queira comprar por si.

Para as crianças, ver progresso é importante. Um objetivo transforma a poupança de uma ideia abstrata em algo que conseguem acompanhar. Em vez de ouvirem apenas “não”, aprendem a pensar, planear e escolher.

E se o teu filho se sentir excluído?

Às vezes, a comparação de dinheiro não tem tanto a ver com o objeto. Tem a ver com pertença.

Se o teu filho disser “Toda a gente tem um menos eu”, pode estar preocupado em ser excluído ou julgado. Antes de passares à lição, reconhece a emoção.

Podes dizer:

“Isso parece difícil. Percebo porque é que queres sentir-te incluído.”

Depois, separa o sentimento da compra.

“Vamos pensar no que estás à espera que isto mude. Tem a ver com ter o objeto, participar ou sentir que fazes parte do grupo?”

Isto pode abrir uma conversa mais profunda. Talvez haja outra forma de o ajudar a sentir-se incluído. Talvez possa pedir emprestado, partilhar uma experiência, convidar amigos para ir lá a casa ou escolher uma alternativa mais barata. Talvez precise apenas de reforço de que não é menos importante por ter algo diferente.

A mensagem a reforçar é:

“O que tens não decide o teu valor.”

Essa é uma lição poderosa sobre dinheiro, e uma lição poderosa para a vida.

Como é que os pais podem dar o exemplo de hábitos saudáveis com o dinheiro?

As crianças aprendem tanto com o que os pais fazem como com o que dizem.

Podes dar o exemplo de hábitos saudáveis com o dinheiro falando sobre pequenas decisões no dia a dia. Por exemplo:

“Estamos a escolher cozinhar em casa hoje porque estamos a poupar para a nossa viagem.”

ou

“Gosto disto, mas vou esperar para ver se ainda o quero para a semana.”

ou

“Comparámos algumas opções e escolhemos a que nos dá mais valor.”

Também podes envolver as crianças em decisões simples da família, como planear uma atividade de fim de semana com um orçamento definido ou comparar preços no supermercado.

Para as despesas partilhadas da família, ajuda se os adultos tiverem um sistema claro também. Uma [bunq Joint Account] pode tornar mais fácil gerir custos partilhados, seja supermercado, contas da casa, férias ou atividades em família. Para as crianças, ver os adultos a planear em conjunto pode ser, por si só, uma boa lição.

Podes transformar isso numa explicação adaptada às crianças:

“Nós planeamos juntos para toda a gente saber para que serve o dinheiro.”

Isso ajuda as crianças a ver o dinheiro como algo organizado, não aleatório. Também mostra que ter confiança financeira não é ter dinheiro ilimitado. É fazer escolhas ponderadas com o dinheiro que se tem.

Ajudar as crianças a sentirem-se confiantes em relação ao dinheiro

Quando as crianças comparam dinheiro com os amigos, isso pode parecer desafiante ao início. Mas, quando bem geridas, estas conversas podem ajudá-las a tornarem-se mais confiantes, ponderadas e resilientes.

Podem aprender que famílias diferentes fazem escolhas diferentes. Podem aprender que o dinheiro é útil, mas não as define. Podem aprender a fazer uma pausa antes de gastar, pensar no que é importante e sentir orgulho nas próprias prioridades.

Da próxima vez que o teu filho disser “Toda a gente tem um”, tenta ver isso como mais do que um pedido. É uma oportunidade para lhe ensinares a lidar com dinheiro, comparação e confiança de uma forma saudável.

E essa é uma capacidade que pode levar para a vida toda.

Queres ajudar o teu filho a ganhar confiança no dinheiro no dia a dia? Com a bunq, podes abrir uma Child Account dedicada, manter o Pocket Money organizado, definir Savings Goals em conjunto e tornar as lições sobre dinheiro parte da vida de todos os dias.

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